2017-02-20

Mário Centeno


O ministro das finanças Mário Centeno deve ter prometido dispensa de declaração de rendimentos, património e cargos sociais aos futuros administradores da Caixa Geral de Depósitos.


Embora tenha feito esforços nesse sentido, designadamente com a aprovação do decreto-lei que isentava esses administradores de algumas das obrigações dos gestores públicos, não conseguiu o conjunto completo de alterações legais necessárias para os administradores ficarem isentos de prestar essas declarações.

Como consequência desse insucesso os administradores pediram a demissão e foi preciso nomear outros, o que foi feito com rapidez.

Os SMS do ministro nunca poderão ser o suporte material de um "Acordo" entre um ministro da República Portuguesa e outras partes e nesse sentido, quer tratem de assuntos privados quer de assuntos públicos, não poderão ser usados em tribunal para averiguar da existência de um "Acordo".

Os SMS devem ser tratados como comunicações telefónicas, necessitando da intervenção dum juiz para serem gravados ("escutados").

Confundir uma promessa informal com um acordo é uma retórica usada pela oposição para tornar a vida difícil ao ministro que a oposição diz que "mentiu".

Estou farto desta discussão e preferia que já tivesse parado há muito tempo.

2017-02-17

Abacaxi descascado com técnica chinesa


Visto numa frutaria chinesa nos Olivais Sul, não será rápido requerendo paciência chinesa, mas fica espectacular!



2017-02-13

Algumas referências à China


Na minha busca, aparentemente sem fim, para perceber a razão de os chineses terem continuado a usar os seus ideogramas tão complicados comprei o  livro "China, Empire of Living Symbols", escrito por uma sueca chamada Cecilia Lindqvist, sinóloga que se dedicou ao estudo da evolução do grafismo e do sentido dos ideogramas chineses.


Gostei do livro como testemunho da cultura chinesa por exemplo, embora já tivesse visto algumas pedras com formas elaboradas nalguns templos chineses, não me tinha apercebido do grau de atenção que os chineses lhes podem dar, ao ponto de modificarem algumas expondo-as depois aos elementos para parecerem objecto de erosão natural (pág.65).


Na Wikipédia tem uma entrada sobre "Chinese Scholar´s Rocks" e fui buscar a este sítio o exemplo que mostro a seguir


Já me tinha apercebido que os chineses se dedicam à aquacultura de peixes de água doce mas não era para mim claro que os excrementos dos peixes fertilizassem as ervas de que se alimentam (pág.74).

Vi agora na Wikipédia a referência a "Aquaponia", combinação de aquacultura com hidroponia que além de passado poderá ter um interessante futuro como se vê numa instalação artesanal em Portugal nesta reportagem da RTP



e noutros sítios mais virados para o mercado googlando Aquaponics ou (urban aquaponics).

Também gostei deste vaso de bronze encontrado em Anyang, do período Shang (1766-1122A.C.) na página 84, onde se vê de frente uma cabeça de veado 


ou duas cabeças de veado de perfil



em que destaquei a cabeça da direita

Nas páginas noventa e tal aparecem vários cortes em papel em que os artesãos chineses são grandes peritos. Abaixo mostro uns recortes em papel que comprei na China, alusivos às 4 estações, que julgo estarem na ordem Primavera, Verão, Outono e Inverno






Para ver mais exemplos desta arte pode-se googlar (chinese paper cuts) ou ver este artigo da Wikipedia.

A partir das páginas 150 existem referências a jangadas de bambu, planta particularmente adequada também para esse efeito dado que os caules são ocos, e algumas referências aos juncos. Na página 153 existem referências apressadas aos descobrimentos Portugueses, minimizando o feito e julgando os comportamentos dos Portugueses de então com os padrões prevalecentes nos finais do século XX.

Existe um capítulo dedicado ao Cânhamo e à Seda (hemp and silk), fui ver o que seria o cânhamo, lembrava-me de me falaram nele no liceu, ou nas aulas de Geografia ou de História. Trata-se de uma planta com fibras longas e resistentes, usada pelos chineses quando inventaram o papel, e também para fazer tecidos, cordas e redes. Na Europa, segundo a enciclopédia luso-brasileira, o cânhamo foi destronado pela juta (Corchorus olitorius), por sua vez substituída por outras fibras vegetais e depois por fibras sintéticas derivadas do petróleo.

Neste sítio www.hemp.com tem uma história do cânhamo onde se refere que nos E.U.A. a legislação que distinguiu o cânhamo industrial da marijuana de 1937 até finais dos anos 60 deixou de o fazer nesta última data enquanto na Europa se considera essa diferença. A proibição de cultivo nalguns países da União Europeia foi abolida em 1998. Existem plantas do mesmo género Cannabis mas com conteúdos muito diferentes do psicoactivo Tetra-hidrocanabinol (THC).

Na página 214 do livro refere-se a batalha de Talas, que opôs exército dos Abássidas ao da dinastia Tang no ano de 751. Os muçulmanos ganharam, parando a expansão chinesa para Ocidente. É possível que a transmissão do conhecimento do fabrico de papel se tenha feito por essa altura, embora seja pouco provável que tenha acontecido durante a batalha. E ao ler sobre mais uma batalha importante de que nunca ouvira falar, uma pessoa volta a pensar que a história que aprendeu é eurocêntrica, se bem que fosse muito difícil que o não fosse.

Vi também decoração de janelas na página 295 e googlei (chinese lattice design) tendo chegado a este painel que encontrei aqui


Este tipo de painéis, além de serem decorativos, forneciam suporte para papel que deixava passar alguma luz dando ao mesmo tempo algum isolamento térmico.

Sobre os ideogramas a autora mostra as formas primitivas de diversos ideogramas, apresentando razões umas vezes verosímeis outras vezes com um apreciável grau de arbitrariedade.

Embora seja fácil estabelecer relações entre o ideograma que representa montanhas e este símbolo "",  à medida que nos aproximamos de conceitos mais abstractos a arbitrariedade da escolha do símbolo aumenta.

Os ideogramas serviram a função de agregar comunidades que falavam línguas muito diferentes mas criam dificuldades enormes na construção de dicionários em papel, pela dificuldade inultrapassável da ausência de uma ordem alfabética.

A definição do pin-yin, feita por um grupo coordenado por Zhou Youguang, permitiu a romanização do mandarim, a língua mais falada na RPC (República Popular da China). Esta romanização facilitou a alfabetização duma muito maior percentagem da população chinesa. Facilita também a introdução dos caracteres chineses nos computadores. A existência de computadores poderá prolongar a vida dos ideogramas cujo significado é agora mais fácil de procurar pois existem programas de reconhecimento de caracteres como o "Linedict", "Pleco" ou mesmo o Google Tradutor que além duma App para iOS e Android já inclui um identificador de caracteres também no PC,  que reconheceu facilmente os poucos caracteres chineses que eu consigo escrever.

Quando estive pela primeira vez em Macau pensei que seria prudente ser capaz de identificar o ideograma de "saída" (出口 ou só 出) e feminino (女) e masculino (男) para identificação da casa de banho adequada.

Curiosamente no capítulo deste livro dedicado a "Mankind" aparece no subcapítulo Mankind.person o ideograma 人 que significa "pessoa" ou "ser humano" e no subcapítulo Mankind.woman aparece o ideograma 女 e o ideograma para mãe 母, não sendo mostrado no capítulo do Mankind nem o ideograma de masculino nem o de pai (父). No subcapítulo Mankind.person aparece o ideograma 夫 que significa marido. Na categoria dos seres humanos o género masculino aparece assim como marido do ser do género feminino.

O carácter 男 (masculino) que deriva da agregação de 田 (campo agrícola) com 力 (força) aparece apenas no capítulo Farming.

O texto parece assim considerar que o homem tem duas funções, de esposo e de lavrador do campo e só na primeira, através do matrimónio, acede à categoria de ser humano. Fiquei a pensar que poderia existir aqui alguma misandria (90400 resultados na busca no Google, enquanto que misoginia tem 1.090.000).

O livro é interessante mas não me iluminou sobre a razão da persistência dos ideogramas ao longo de tantos séculos.

2017-02-07

Ficção científica


Os meus autores preferidos de ficção científica são o Isaac Asimov e o Arthur C.Clarke. Mas lembro-me de ter lido um ou dois livros do Robert A. Heinlein. Num deles recordo-me que um programa de "inteligência artificial" ganhara consciência e, ajudado por um informático humano, liderara uma revolta da colónia lunar em relação aos terráqueos colonizadores. Para assegurar uma boa comunicação entre o programa consciente e o público lunar tinha sido sintetizada uma figura humana que falava na TV lunar aos colonizados.

Algumas das histórias de ficção científica têm como base a repetição de padrões históricos no futuro, como é o caso deste em relação a relações coloniais.

Outra das características da histórias de ficção científica é a demonstração de que o futuro é muito dífícil de prever. Por exemplo num conto do Asimov havia um computador que acumulara tanta informação que era capaz de responder a perguntas cada vez mais complicadas sobre a existência do universo. Mas curiosamente continuava a comunicar através de fitas de papel perfurado, uma tecnologia do início dos computadores completamente ultrapassada pelas capacidades de interacção visual e auditiva das interfaces multimedia, enquanto a qualidade das respostas dos computadores a perguntas filosóficas continua no berço.

Lembrei-me disto a propósito deste comício do Jean-Luc Mélenchon que usou um holograma para aceder ao dom da ubiquidade, conseguindo estar em dois comícios em simultâneo em Lyon e em Paris, neste último lugar em presença via um holograma.

Um dia destes conseguirão sintetizar uma figura humana que poderá estar em muitos comícios em simultâneo. O difícil continuará a ser afinar um programa de inteligência artificial para fazer intervenções interessantes.

O Youtube da sessão é este:




De vez em quando refiro que nem sempre as traduções portuguesas são mais palavrosas que as inglesas. O romance do R.A.Heilein que refiro acima teve o título traduzido em Português para "Revolta na Lua" quando no original se chamava "The Moon Is a Harsh Mistress".


2017-02-01

O povo unido


Estas manifestações nos Estados Unidos da América deram-me a conhecer a versão em inglês da palavra de ordem tão frequente nas manifes durante o PREC (Processo Revolucionário Em Curso), depois do 25 de Abril de 1974. É " The people united will never be defeated":



conforme mostra esta manife em Nova Iorque contra as limitações à entrada de nacionais de 7 países, realizada há 1 ou 2 dias.

Em Portugal dizia-se " O povo unido jamais será vencido". Só passado algum tempo me apercebi que a frase tivera origem no Chile e vi agora na Wikipédia que  a frase"El pueblo unido jamas sera vencido" fora usada na campanha da eleição de Salvador Allende. No artigo da Wikipédia referem o uso em Portugal e em vários outros sítios.

Nos EUA corre outro tipo de PREC, o Processo Reaccionário Em Curso, esta manife é uma forma de resistência a esse PREC.

2017-01-31

Algarve no Inverno (2)


Surpreendeu-me esta enorme muralha vegetal, plantada na encosta e muro da vivenda enorme existente na Praia da Rocha, no lado esquerdo do acesso à praia para quem vem na estrada antiga de Portimão.



Mostro a seguir outra vista, com um candeeiro e degraus para dar uma ideia da escala




e maior detalhe do que me pareceu ser uma trepadeira que nunca tinha visto em flor


finalizando com detalhe duma das flores enormes, teriam de diâmetro 10 a 15 cm


Adenda: perguntei ao Paulo Araújo do "Dias com Árvores" que planta seria esta, informou-me que é a Solandra maxima, originária da América Central.

2017-01-27

A Grande Muralha da América


Os Estados Unidos da América do Norte dão uma sensação de terem entrado em declínio, elegeram para presidentes George W. Bush e, passado 8 anos, Donald Trump.

Quando foi eleito G.W.Bush pensei que os EUA se podiam dar ao luxo de escolher um homem sem qualidades para seu presidente pois as instituições eram suficientemente fortes para funcionarem bem qualquer que fosse o homem escolhido para o cargo.

Constatei depois que me enganei, G.W.Bush e a sua equipa arrastaram o país para a guerra do Iraque, mentindo sobre a existência de armas de destruição  maciça, causando uma quantidade enorme de mortes de iraquianos que continuam ainda hoje a ocorrer com frequência.

Com Donald Trump a evolução será provavelmente pior. É estranho que tanta gente aprecie uma pessoa que se notabilizou num programa de TV cujo momento alto é o despedimento de um dos concorrentes cujo objectivo era trabalhar nas empresas Trump! Será que os espectadores se sentem vingados por em tempos terem sido despedidos?

Lembro-me que há muitos anos o Pedro Ferraz da Costa disse na TV que não se daria por satisfeito enquanto não pudesse despedir um funcionário da sua empresa sem ter que dar qualquer justificação. Esse parece ser um dos valores da sociedade americana, muito apreciado pelos eleitores do actual presidente. Felizmente em Portugal ainda é mais difícil despedir um trabalhador do que fazer um despedimento colectivo e surpreende-me de cada vez que alguém apresenta esta situação como absurda. O despedimento sem justa causa dá um poder excessivo à entidade patronal contribuindo para a arbitrariedade e fomentando a submissão em vez duma participação activa na empresa. O despedimento colectivo pode resultar de factores externos à empresa que não foi possível prever e pode ser a única forma de salvar alguns postos de trabalho.

Dum homem que tem um momento de glória ao afirmar o seu poder sobre os trabalhadores das suas empresas despedindo-os será de esperar muitas decisões erradas.

A primeira com algum impacto económico será esta muralha inútil entre o México e os EUA para a qual assinou uma “executive order”. A longo prazo a NAFTA (North American Free Trade Association) seria um passo adequado para, ao desenvolver os 3 países da América do Norte, reduzir a emigração do México para os EUA, aproximando o saldo migratório de um valor nulo. No curto prazo poder-se-iam erguer mais algumas barreiras para evitar passagens de fronteira excessivamente fáceis. Mas um muro ao longo de milhares de quilómetros parece um enorme desperdício de esforço e dinheiro. Os muros poderão ser eficazes em zonas densamente povoadas, dando algum tempo para a intervenção de forças militares ou policiais. Em zonas desabitadas e remotas, o tempo necessário para as forças de segurança intervirem no local é mais do que suficiente para qualquer candidato a emigrante passar o muro.

Atendendo a que a Grande Muralha da China é actualmente uma grande atracção turística, talvez a ideia de Donald Trump seja fazer uma cadeia de hotéis Trump ao longo do muro com o México, para serem visitados pelos seus eleitores, embevecidos com o lindo muro costruído pelo seu presidente.

Talvez nalgumas secções possam usar a grande muralha da China como inspiração. Deixo aqui uma imagem da mesma.




2017-01-23

Acesso aos meus álbuns de imagens


Desde que o Google acabou com o acesso a fotos através da aplicação Picasa, passando a dar esse acesso através da aplicação "Google Photos" que os meus álbuns do Picasa deixaram de estar facilmente acessíveis através deste blog. Na realidade estou a usar um eufemismo pois não conheço nenhuma forma de acesso actualmente disponivel.

Clicando no nome de cada álbum obtém-se acesso ao álbum com o mesmo nome do Google Photos.

Lista de Álbuns:


jj.amarante Pictures      (   82 imagens, posts de  Mar/2008 - Mai/2008)

jj.amarante Pictures_2  ( 581 imagens, posts de Mai/2008 - Ago/2010)

jj.amarante Pictures_3  ( 499 imagens, posts de Ago/2010 - Jun/2012)

jj.amarante Pictures_4  ( 421 imagens, posts de  Jun/2012 - Dez/2013)

jj.amarante Pictures_5  ( 322 imagens, posts de  Jan/2014 -  Jun/2015)

jj.amarante Pictures_6  ( 291 imagens, posts de  Jun/2015 - Ago/2016)

jj.amarante Pictures_7  ( posts de Ago/2016 - )

Contraponto            (24 itens)
Fotos com legenda   (19 itens)
Kew Gardens           (20 itens)
Macau                     (13 itens)
Maluda                    (16 itens)

United States Botanic Garden (20 itens)

Depois de algumas consultas na internet descobri esta forma de fornecer acesso às imagens que tenho publicado no blog. Muitas imagens nos álbuns têm o mesmo número de pixels que é mostrado no blogue, sobretudo as mais antigas, mas existem excepções que agora voltam a estar disponíveis.


Entre parêntesis estão as datas de publicação dos posts deste blogue que referiram pela primeira  vez as fotos. Os álbuns têm nomes pouco imaginativos, a maior parte são "jj.amarante Pictures_x" em que mudava de álbum quando o tempo de acesso dentro de cada um me aborrecia.

2017-01-17

Algarve no Inverno


Não tem passado um ano sem eu ir ao Algarve desde a infância e muitas vezes lá fui fora do Verão mas dado que a maior parte do tempo que tenho passado lá é no tempo quente e seco surpreende-me sempre a presença de plantas mais típicas de climas húmidos nesta parte de Portugal.

Foi mais uma vez o caso neste Janeiro de 2017 quando na Praia da Rocha encontrei esta espécie de hera agarrada a uma rocha virada a Norte, cuja dimensão é dada pelas 3 ou 4 pedrinhas de calçada no canto inferior esquerdo


mesmo ao lado desta planta elegante cujas folhas parecem pétalas de flores


depois surpreendeu-me esta vegetação pujante no sopé da falésia junto à praia


que mostro a seguir um pouco mais aumentada, parecendo quase um pedacinho de floresta tropical


Depois vi ainda este tapete verde


finalizando com este barranco de grés ocre na praia, rodeado dum tapete de um verde vivo onde abundam agaves






2017-01-12

Praia da Rocha, 8 de Janeiro de 2017


Quem está na água usa neoprene mas há quem vá molhar os pés com calções e uma t-shirt:



e em quase só tons de cinzento, por trás dum filtro polaroid para "aguentar" o reflexo do sol sobre o mar




2017-01-11

Mário Soares


Depois de tanto testemunho sobre Mário Soares este post parece-me redundante.

Porém chocou-me a diferença entre os louvores de toda a gente na televisão com os quais concordo na maioria  (se bem que como observou Bernardino Soares no programa 360º da RTP3 os elogios de políticos muito diferentes referiam-se cada um a actividades de épocas muito diferentes) e as palavras de ódio que apareceram com excessiva frequência em comentários na internet.

Gostava assim de afirmar que a descolonização não terá sido exemplar mas foi uma das possíveis, após as forças armadas terem garantido durante 13 anos de guerra a possibilidade de outras soluções políticas que o anterior regime se mostrou incapaz de encontrar quer antes do início da guerra quer durante a mesma. A descolonização era inevitável e seria sempre traumática. Mário Soares contribuiu para encontrar soluções que, no leque das alternativas realizáveis, acabaram por ser razoáveis.

Gosto deste quadro da galeria de presidentes da república, da autoria de Júlio Pomar, pelo aspecto festivo e descontraído que apresenta, mesmo considerando que também lá está representada a cadeira do poder da 1ª República.

2017-01-03

Os Turners da Helena


Berlim tem uma atmosfera não tão enevoada como a de Londres, pelo que se nota que existem algumas diferenças entre muitos dos quadros de Turner e as fotos da Helena Araújo mas poderão verificar aqui que o espírito é muito semelhante, trata-se de captar a luz.

A seguir mostro um exemplo




os outros poderão ver no site da Helena, aconselho que cliquem lá nas imagens para as verem grandes.


2016-12-30

Teia de aranha com orvalho


Há uns dias os Olivais Sul amanheceram com nevoeiro e reparei numa árvore com teia de aranha onde se condensara algum orvalho. Esta é a imagem da árvore


seguida duma foto tirada mais ao pé da teia



Esta teia fez-me lembrar esta obra da Alyson Shotz que já mostrara aqui






e a animação que mostra uma aranha a construir a sua teia aqui.





2016-12-27

Mulher de branco no jardim


Renovei dois posters que tinha em casa com reproduções de quadros do Monet, desta vez usando imagens disponíveis na internet e fazendo impressões das mesmas sobre tela, posteriormente montada sobre armação de madeira, numa loja de fotografia dos Olivais.

Dizem-me que as tintas usadas nas telas têm boa duração, o que é pouco frequente nos posters que tenho comprado, com tendência para perder os vermelhos.

Na procura de imagens com melhor definição, que muitas vezes estão na commons.wikimedia.org acabo por passar por outras imagens além das específicas que procuro.

Foi o caso da que mostro aqui



intitulada "Femme en blanc au jardin", pintada por Claude Monet em 1867 e actualmente no museu Hermitage em S.Petersburgo.

Nos livros de fotografia costuma-se ler que as melhores horas para tirar fotos são quando o sol está baixo, no início da manhã e ao fim da tarde, como fiz no antepenúltimo post deste blogue.

Quando o sol vai alto, como é o caso deste quadro em que as sombras são pequenas, o contraste muito grande entre as zonas fortemente iluminadas e as de sombra tornam difícil a composição da imagem. Presumo que as mesmas dificuldades apareçam na realização de quadros nessa altura do dia.

Este parece-me que resolveu os problemas de uma luz forte com grande sucesso.

2016-12-23

Feliz Natal


O Solstício de Inverno de 2016 já passou, desta vez foi no dia 21/Dezembro às 10horas e 44 minutos, a partir de agora e até Junho de 2017 o período de luz de cada dia vai sempre aumentar!


A Igreja aproveita esta altura do ano para comemorar o nascimento de Jesus Cristo, representado neste ícone de estilo bizantino que, segundo um sítio da internet, estará na Igreja da Natividade em Belém


Continua-me a fascinar esta forma bizantina de representar a realidade, mesmo se à primeira vista parece repetitiva. Mostro a seguir o detalhe da Sagrada Família


e desejo aos leitores um Natal Feliz e um ano de 2017 melhor do que o de 2016.



2016-12-17

Árvore iluminada nos Olivais Sul (2)


Nas tardes de Dezembro (por volta das 3 e meia já o sol vai baixo) há um choupo que parece ser preferido pelos raios solares, nesta altura do ano com as folhas amarelas, contrastando com as árvores que o rodeiam, de folhagem perene de côr verde.

Fotografei-o em 24/Dez/2007, faz agora 9 anos, e mostrei-o num post de Março/2008, um dos primeiros deste blogue, chamando-o plátano mas corrigindo para choupo num comentário.

Fotografei agora mesma árvore, aproximadamente à mesma hora (por volta das 3 e meia) mas doutro ângulo. Nestes 9 anos ficou mais imponente.



2016-12-13

Marcel Gotlib (1934 – 2016)



Tomei conhecimento na pequena secção de obituário do jornal Expresso que morreu Marcel Gotlib no passado dia 4/Dez, autor notável de banda desenhada.

Tomei contacto com o seu “humor gelado e sofisticado” através da “Rubrique-à-brac” uma série de álbuns onde aprendi que era possível partilhar a nossa ignorância com os nossos leitores como fiz aqui e aqui e me apercebi da extraordinária ironia da lenda da maçã que ao cair na cabeça de Sir Isaac Newton alegadamente o fez descobrir a Lei da Gravitação Universal.

De antologia era também a revisitação de muitas das histórias que era costume contar às crianças, mostrando que afinal elas não eram transmissoras de valores tão bons como nos queriam fazer acreditar.

Ganhou fama escrevendo na revista Pilote, tendo depois dirigido outras revistas. A Wikipédia tem uma entrada em francês, outra em inglês mas falta uma versão portuguesa.

Acho que vou revisitar os álbuns dele que tenho em casa.

2016-12-10

Líchias!


Quando comecei a frequentar restaurantes chineses aparecia na lista de sobremesas esta fruta na sua versão de conserva que nunca me convenceu. Porém, quando tive a oportunidade de a provar fresca, fiquei fã para sempre. É pequena, descasca-se bem à mão, não é enjoativamente doce e tem um perfume subtil, muito agradável sem ser impositivo

Não conheço bem as cadeias de frio para este tipo de fruta, parece ser das poucas frutas que não as tem, em Lisboa sei que elas aparecem em Junho e em Dezembro.

Uma visita à Wikipédia diz que as líchias são originárias do Extremo Oriente, que estão disponiveis em Junho no hemisfério Norte e em Dezembro nas plantações do hemisfério Sul.

Na frutaria chinesa dos Olivais em que me abasteço as desta época costumam vir de Madagascar.

Não resisti a tirar uma foto às primeiras líchias deste Dezembro, numa taça de vidro iluminada pelo Sol:




2016-12-06

Teremim, o instrumento que se toca sem tocar


Tenho um amigo que reparou na ausência dum específico instrumento electrónico neste blogue.

Trata-se do Teremim, instrumento que se toca sem tocar, inventado em 1920 por um russo chamado Léon Theremim, que patenteou a sua invenção na América onde vendeu os direitos de produção à RCA (Radio Corporation of America) e teve Einstein como mentor.

O instrumento tem duas antenas que detectam a proximidade das mãos do instrumentista (não fará sentido falar aqui de quem o toca), controlando uma mão o tom musical (frequência) e a outra o volume (amplitude).

O melhor é ver uma demonstração do aparelho tocando a melodia do "Aconteceu no Oeste"




seguido duma demonstração dos sons elementares do aparelho e duma Ave Maria




A versão inglesa da wikipédia tem uma biografia bastante completa deste notável físico e inventor russo que além deste aparelho contribuiu para o desenvolvimento da televisão, foi desterrado para a Sibéria, foi reabilitado e inventou vários dispositivos para espionagem, designadamente um que detectava conversas através das vibrações dos vidros das janelas.

Nasceu em S.Petersburgo em 1896, casou-se 3 vezes e depois duma vida completíssima faleceu em Moscovo em 1993 (com 97 anos).

2016-12-04

Breve História de Quase Tudo



Já me tinham recomendado este livro do Bill Bryson mas foi este post do João André que me me levou a comprar o livro “A Short History of Nearly Everything” que existe também com tradução portuguesa, em título deste post.

Recomento a leitura do post acima referido pois descreve bem o conteúdo do livro bem como o estilo informal do seu autor pelo que me dispensarei de o repetir aqui.

Pela minha parte destaco também a citação de J.B.S. Haldane que sublinhei quando lia o livro, em tradução minha: “O Universo é não apenas mais estranho do que nós supomos; ele é mais estranho do que nós conseguimos supor”.

Embora o autor não tenha formação científica foi não só capaz de apreender o essencial de muitos conhecimentos científicos como foi capaz de em cada área continuar a perguntar até conseguir chegar à fronteira em que os cientistas lhe respondiam “não sei” (ou não sabemos).

Quando eu passei pelo liceu, foi há muito tempo ainda se chamava liceu, boa parte da ciência que ensinavam era implicitamente transmitida como uma verdade definitiva, de natureza mais religiosa do que científica. Talvez seja por isso que continuo a surpreender-me quando tantas novas descobertas continuam a surgir a todo o tempo, completando ou destruindo convicções que se julgavam mais estáveis.

Gostei do destaque que o autor vai dando ao longo do livro aos aspectos humanos dos cientistas, destacando a sua singularidade sem cair na caricatura hostil. E gostei que depois de falar das descobertas feitas refira a nossa grande ignorância sobre quase tudo.



2016-12-01

Gravador de Bobines



A luta contra a falta de espaço em casa é como a Reforma do Estado, é um erro considerar que essa luta está concluída, existem apenas acções sucessivas que umas vezes melhoram, outras vezes pioram a situação.

Existem coisas que embora tenham perdido a sua utilidade representam um aspecto importante da vida e é mais difícil desfazermo-nos delas. Foi  certamente o caso do meu primeiro gravador, um Grundig TK140 que comprei no ano de 1967, um modelo de gama baixa, que ia comigo nas férias grandes e com o qual gravei muitas músicas do programa “Em Òrbita” do Rádio Clube Português além de discos de vinil emprestados por amigos.

Fui ao site do Instituto Nacional de Estatística à procura do IPC, Índice de Preços do Consumidor (do Continente excluindo habitação) e constatei que o gravador que em 1967 me custou 3400$00 me custaria agora a quantia equivalente de cerca de 1100 €! Constato assim com facilidade que nem os meus filhos nem os meus netos vão ter mais dificuldades do que eu tive a adquirir um equipamento funcionalmente equivalente que agora, sempre passaram 50 anos, custará umas 20 vezes menos.

Achei curioso que o INE faculte um ficheiro .pdf atestando esta conversão, é um serviço simpático concebido certamente para conversões de valores mais elevados e que mostro a seguir



O cálculo do IPC inclui muitas considerações que poderão não ser aplicáveis a cada um dos valores de objectos cujo custo se pretende actualizar mas dá uma boa primeira estimativa.

Os LPs (de Long Play) discos de vinil com entre 30 e 50 minutos de música, actualmente existindo muitos sob a forma de CD,  custavam então 180$00 o que convertido dá cerca de 60€ actuais, valor estratosférico quando comparado com um CD.

Na área dos computadores, dos aparelhos audio e de video, das máquinas fotográficas e em tantos outros tipos de equipamentos é cada vez mais frequente que um aparelho chegue ao fim da sua vida útil não porque se tenha avariado e seja incapaz de cumprir a sua função mas porque apareceu uma nova geração de aparelhos de muito melhor qualidade que os torna obsoletos.

No caso deste gravador ele ficou obsoleto quando adquiri passados 6 anos um conjunto de alta fidelidade com gira-discos, amplificador/rádio e duas colunas. A diferença de qualidade era tão grande que o gravador ficou arrumado a um canto sem ser usado e só não o deitei fora porque ainda podia funcionar e, dada a sua forma paralelipipédica, se arrumava bem a um canto.

Ultimamente descobri que me desfaço com maior facilidade das coisas quando guardo uma(s) foto(s) das mesmas, uma foto num disco duro quase não ocupa espaço.




Também fotografei as notas de uma alteração que fiz dentro do gravador para poder tocar fitas gravadas em estéreo noutros aparelhos:



Depois não resisti a gravar um filminho de 15 s onde se constata que ainda conseguia tocar uma bobine gravada há quase 50 anos!


Guardei também o caderninho



onde registava o conteúdo de cada bobine, eram as Playlists da época, de que mostro aqui um exemplo:


E depois disto tudo fui colocar o aparelho, bobines e notas no ecoponto.


2016-11-30

O Outono sempre vai chegando


Como se vê hoje nos Olivais Sul em Lisboa, com umas poucas árvores do bairro, da Quinta Pedagógica ou do Contador-Mor a ficarem com folhas amarelas, castanhas e vermelhas





2016-11-29

Meandro(s)


Visto na margem lodosa do rio Tejo no Parque das Nações em Lisboa:


Versões da Wikipédia sobre meandro em português (muito resumida), em espanhol, e em inglês, estas duas bastante completas e com figuras um pouco diferentes.

Também metáfora para os caminhos da política, nem a água consegue correr em linha recta...


2016-11-22

Tempo de espera



Há muito tempo que quase não ando de autocarro. Nos tempos em que não tinha carro demorava 10 a 15 minutos a pé da minha casa até o estabelecimento de ensino pelo que só precisava de usar transporte público esporadicamnete.

Mesmo nessa altura constatei que esperar por um autocarro era uma enorme seca e que se fosse a pé acabava na maior parte dos casos por chegar mais cedo ao destino do que o autocarro, verificação possível pois usava o mesmo trajecto.

Às vezes tomava o eléctrico pelo prazer de ir sentado à janela com esta aberta quando o tempo estava ameno. E o metropolitano era verdadeiramente a única alternativa boa, quando passou aquele período inicial das composiçõs com duas ou três carruagens em que uma pessoa ia tão comprimida como no metro de Tóquio na hora de ponta.

Nas cidades da Europa fui vendo o aparecimento de painéis electrónicos onde era afixado o tempo de espera para o próximo eléctrico ou autocarro e acostumei-me a ver valores normalmente inferiores a 10 minutos nos centros das cidades.

Quando comecei a ver esse painéis em Lisboa constatei que. sob o ponto de vista do tempo de espera, a situação não era muito diferente do que acontecia há 50 anos atrás, via valores de 18 minutos, de 25 minutos, valores que me parecem inacreditáveis para quem tem de usar estes transportes.

Constatei além disso que os painéis eram raros, existiam imensas paragens sem nenhum painel e presumo que os horários, que talvez estejam afixados, seriam tão úteis como os horários dos voos da TAP que dão uma vaga ideia de quando o avião parte ou melhor, estabelecem um limite inferior do instante em que se dará a partida.

Notei contudo numa paragem ao pé da minha casa que a respectiva placa que mostro na foto


sugeria o envio de um SMS com o texto C 08413 para o número 3599. Constatei depois que o número 3599 se aplica em todas as  paragens, mudando o código C nnnnn que caracteriza a paragem.

Fiz a experiência e para meu espanto recebi em menos de um minuto, naquele caso ao fim de menos de  10 segundos, mensagem SMS de resposta com uma lista dos autocarros que iriam chegar, com o tempo de espera e o tempo de chegada!

Desde aí usei esporadicamente este sistema, sempre com bons resultados, duma vez como o tempo de espera era superior a 20 minutos ainda fui a um café beber uma bica, em vez de ficar a secar na paragem.

Parece-me um sistema muito bom considerando que o custo dos SMS é muito pequeno ou mesmo nulo para alguns contratos com operadores de telemóveis. O sistema também é bom para a Carris, com menores custos de investimento em painéis, ainda por cima mais vulneráveis a vandalismo e a avarias que necessitam de deslocação ao local. E tem ainda a vantagem para quem está em casa de saber quando será preciso dirigir-se à “sua” paragem, possibilidade que não existe com os painéis electrónicos nas paragens.

No site da Carris tem informação sobre isto aqui.




2016-11-21

O Outono está a chegar devagarinho


Depois dos calores de ananases do último Verão começou o Outono no equinócio em 22/Set/2016, passaram agora 60 dias, faltando 30 para para o solstício de inverno que ocorrerá em 21/Dez/2016.

Passaram-se assim 2/3 do Outono e no domingo de há uma semana (dia 13/Nov), na praia de S.João da Caparica ainda fazia este tempo magnífico



 olhando melhor vê-se que já não era bem Verão, nesta altura já só se vê gente vestida na praia, ou a passear na areia ou com fato de neoprene nas ondas




eu próprio estava bem protegido do sol como atesta a minha sombra aqui ao lado mas não duvido que os turistas do norte da Europa estariam a apanhar banhos de sol.

Estive a ver no Wunderground os valores históricos do mês de Novembro em Lisboa e as médias da  máxima/mínima começam em 1/Nov com 19º/13ºC e os valores vão descendo até aos 15º/9ºC no fim do mês. Os valores observados este ano não se afastam muito do normal, com uns dias de sol e outros com alguma chuva.

Neste esteve sol e até a serra de Sintra lá ao fundo se apresentava neste dia sem nuvens.



vendo-se a silhueta do palácio da Pena neste detalhe.


Não tenho tido assim oportunidade de mostrar fotos lindíssimas de paisagens geladas como as que aparecem aqui.

Hoje o tempo já esteve mais Outonal, choveu com frequência durante o dia como se constata nesta foto dos Olivais Sul


em que a relva verde revela que caiu alguma chuva depois do Verão em que os relvados estavam estritamente amarelos e secos.

Notam-se umas tantas folhas amarelas nas árvores aqui e ali mas será preciso esperar por meados de Fevereiro para cair a última folha, para logo a seguir começarem a aparecer as folhas novas.