2017-08-12

Crepúsculos na Praia da Rocha


Tirei esta foto (um diapositivo) com uma máquina analógica Olympus OM-1, com objectiva de 50mm, a minha primeira e única máquina até aparecerem as digitais, em Setembro de 1974 e já a mostrara num post deste blogue em Dezembro de 2008.



No passado 10/Ago passei pelo mesmo local e não resisti a tirar outra foto, desta vez com o telemóvel que tem uma grande (ou mesmo enorme) angular



Naquele Setembro de 1974 o ar estava mais límpido e haveria talvez menos luminosidade ou então o telemóvel compensou a falta de luz. O horizonte estava mais vermelho, e o mar também estava espelhado, como é frequente no Verão ao fim da tarde quando acalmam as brisas locais.

Não consegui usar o mesmo enquadramento e as experiências que fiz para alterar a cor não foram bem sucedidas, encontrei cores muito "forçadas", a de 1974 tem uma certa "patine", quase a preto e branco.

A vista da praia mudou muito menos do que a vista das construções que felizmente não aparecem em nenhuma das imagens. A água entrava mais pela praia adentro ao pé do miradouro (e provavelmente em toda a praia) e não existia o pontão de pedras a ligar este ao "gémeo" (designação dada aos dois pequenos rochedos de forma cónica em frente do miradouro) mais próximo.

Gosto muito dos fins de tarde.

2017-08-07

Calor de Palmeiras


Estas palmeiras, que julgo serem uma espécie importada das ilhas Canárias e que são muito comuns em Portugal, foram há uns anos vítimas dum parasita que matou uma data delas.

Uma pessoa associa estas plantas a climas quentes embora aguentem bem os nossos invernos.

Gostei de ver este exemplar sobrevivente iluminado pelo Sol ao fim da tarde em Portimão, com a lua quase cheia sobre o céu ainda azul.




Não estava um calor de ananases mas estaria um de palmeiras.


2017-08-06

Tom Gauld: A Realidade é uma ilusão mas...


Vi esta imagem


no blogue do embaixador, lembrou-me "A condição humana" do Magritte.

Depois fui à procura dela no Google Images com uma parte da frase (Reality is an illusion entirely within the human mind, but it's the only place you can get a decent cup of coffee.) e encontrei-a rapidamente. Foi feita por Tom Gauld, cartoonista escocês, de que seleccionei esta representação da respectiva biblioteca


e esta descrição de duas nações em guerra
 


2017-08-05

Calor de ananases


Era quase noite escura saímos de casa para tentar apanhar um bocadinho de fresco no molhe da Praia da Rocha.

Havia uma brisa leve que por vezes trazia umas sugestões de frescura, o horizonte estava fotogénico e só tinha o telemóvel à mão


 Não é habitual ver pessoas a passear na praia a refrescar os pés à beira-mar nesta hora do dia, o céu foi clareado pelo telemóvel



 a mesma imagem fazendo um zoom




2017-08-02

As Sultanas


Na minha primeira viagem à Índia em 1990 tomei conhecimento da existência dos livros de viagem “Lonely Planet”, criados por um casal de autralianos que começou por viajar por sítios baratos no Extremo Oriente e que com o sucesso obtido expandiu o número de países cobertos pela colecção, cujas publicações devem hoje cobrir o mundo todo.

Além dos conselhos de viagem propriamente ditos os livros incluem sínteses históricas de enorme qualidade, com um estilo bem disposto mas descrevendo o essencial, que tenho lido sempre com muito interesse em cada livro que tenho comprado.

Foi talvez aí que tomei conhecimento das dificuldades para encontrar sucessor nos impérios Otomano, da Pérsia e da Índia, situação claramente devida à existência de um harém com numerosas concubinas e numerosos herdeiros potenciais da coroa, dos quais o soberano escolheria um.

Os primogénitos corriam muitas vezes o risco de serem preteridos por filhos de concubinas mais jovens e mesmo que não estivessem interessados em suceder ao pai viam-se na obrigação de se defender dos irmãos ( e vice-versa) que os viam como uma ameaça potencial que precisava de ser eliminada.

Quando existe um harém, a situação de esposa favorita é quase sempre transitória, a própria existência do harém constitui uma pressão social para que o governante não se fixe numa única esposa. Daí a importância da frase “mãe há só uma”, a mãe do sultão, lugar almejado por boa parte das mulheres do harém.

Percebe-se assim melhor as vantagens para os cortesãos menos ambiciosos do modelo de sucessão ocidental em que o direito do primogénito ao trono era muito poucas vezes posto em causa, os cortesãos não tinham que tomar partido por um dos pretendentes, evitando assim o risco enorme de escolherem o lado perdedor, perdendo o lugar na corte, a riqueza e provavelmente a vida. No Ocidente bastava um primogénito, desejavelmente alguns irmãos legítimos para o caso de doenças mortais e os filhos bastardos fora do concurso para a herança do trono.

Lembrei-me disto tudo julgo que na sequência dos comentários recentes sobre os filhos do Cristiano Ronaldo criados em barrigas de aluguer e nalgumas analogias e diferenças entre o famoso jogador e os sultões do império Otomano.

Deixo a seguir uma imagem de uma das numerosas salas do harém no palácio de Topkapi em Istambul




2017-07-25

Un Ciel de Magritte


Na última viagem à Bélgica fui visitar o museu do Magritte e constatei que os céus azuis dos quadros dele costumam ter umas nuvenzinhas brancas como se constata neste conjunto de quadros



Depois vi que certamente se inspirava no céu azul de Bruxelas, que em vez dum azul liso como em países mais para o Sul costuma apresentar umas nuvenzinhas, como se pode constatar na foto que tirei ao céu no Museu do Magritte em Bruxelas, com o Atomium ao fundo a certificar o lugar da 2ª imagem



No Mont des Arts deparei-me entretanto com este caminho de árvores que me pareceu digno, com alguns retoques, dum quadro surrealista, com o caminho que não leva a lugar nenhum, a parede do lado esquerdo num azul muito claro fazendo lembrar o céu e um céu, perdão um tecto, verdejante e denso



2017-07-17

O esquerdista acidental

 Este meu texto foi publicado inicialmente em 14/07/2017 neste post do blog "Delito de Opinião"

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O esquerdista acidental

Na vida das sociedades existem duas tendências antagónicas, para a mudança e para preservar o que se alcançou.

Poderíamos dizer que a primeira é progressista e a segunda conservadora. Mas tratam-se de classificações apressadas porque por vezes as mudanças são feitas para regressar a situações anteriores enquanto o progresso se faz encontrando soluções inovadoras.

Existe outro par de tendências antagónicas que corresponde melhor à distinção entre esquerda e direita, enquanto a esquerda sublinha a igualdade essencial de todos os seres humanos a direita sublinha as diferenças entre seres humanos, que também são essenciais à humanidade, somos todos iguais mas também todos diferentes.

A origem da classificação esquerda/direita vem da revolução francesa em que os deputados do lado esquerdo da assembleia davam prioridade à igualdade enquanto os do lado direito davam prioridade às diferenças vincadas entre as classes sociais que existiam no anterior regime.

Como a distribuição da riqueza era então muito desigual em relação à contribuição de cada um, a esquerda foi conotada em toda a parte com o desejo de mudança enquanto a direita com a manutenção do statu quo.

Mas quando após muitos anos as mudanças introduzidas pela esquerda começaram a ser consideradas excessivas nalguns países, observou-se uma maior apetência pela mudança pela parte da direita enquanto a esquerda se batia pela manutenção das regras entretanto estabelecidas.

Talvez tenha sido a revolução industrial ocorrida na Europa que criou condições para uma partilha da riqueza muito mais equitativa do que a que existira na Idade Média. Em Portugal a revolução industrial foi muito tímida, devido à nossa situação periférica, à catástrofe pombalina da educação (de repente 20000 alunos do “secundário” ficaram sem professores devido à expulsão dos Jesuítas), às lutas entre absolutistas e liberais no século XIX. Na primeira metade do século XX tão pouco houve grandes progressos em Portugal, tendo chegado a 1950, metade do século XX, com uma pobreza confrangedora e uma taxa de analfabetismo de 42% (fonte: António Candeias et al. (2007): Alfabetização e Escola em Portugal nos Séculos XIX e XX. Os Censos e as Estatísticas, mostrada na tabela a seguir), um valor único e inacreditável na Europa a que alegadamente pertencíamos!

Ano    Analfabetismo Variação
1900            73%              -----
1911            69%              -4%
1920            65%              -4%
1930            60%              -5%
1940            52%              -8%
1950            42%            -10%
1960            33%              -9%
1970            26%              -7%
1981            21%              -5%
1991            11%            -10%
2001              9%              -2%

Devido a esta herança de falta de formação que temos tido dificuldade em encontrar profissionais competentes quer na prestação de serviços quer na manutenção de máquinas, sendo preferida a solução de deitar fora e comprar novo, muitas vezes representando um desperdício de capital.

Mesmo agora sofremos deste handicap, quer na manutenção quer nas despesas de funcionamento corrente, como por exemplo no sistema de videovigilância dos paióis de Tancos que estava há dois anos avariado antes do roubo de há dias, no SIRESP que tem má performance nas situações de crise em que teria maior utilidade, na falta de verba para manutenção e funcionamento dos aparelhos de ar condicionado das escolas reabilitadas no programa da Parque Escolar, etc.

Claro que o esforço na formação deu os seus frutos, a qualidade e consistência de muitos serviços melhoraram imenso nestes últimos 40 anos, como por exemplo no serviço nacional de saúde, no ensino, no fornecimento da electricidade, da água, do gás, dos telefones do acesso à internet, no saneamento, no tratamento do lixo e em tantos outros sectores que costumam ser noticiados apenas quando ocorrem grandes problemas.

Mas partindo tão atrasado o país continua na cauda da Europa em muitos indicadores e uma pessoa com tendências conservadoras como eu, que aprecia ver as coisas a funcionar consistentemente bem, não se pode dar por satisfeita apenas com o que se alcançou, vendo-se forçada a apoiar mudanças para uma distribuição mais equitativa da riqueza, que ainda está mais desigual do que a média da União Europeia, sendo a razão principal do nosso atraso.

Ou numa frase: para ser conservador era preciso que o país estivesse muito melhor.

É o que me torna num esquerdista acidental.

jj.amarante
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2017-07-13

Captador de Sonhos




Reparei pela primeira vez no objecto da figura ao lado numa banca de rua numa noite de Setembro de 2014 na Praia da Rocha.

Fiquei intrigado com o objecto mas por qualquer motivo optei por não perguntar do que se tratava, tirei uma foto com o telemóvel e mais tarde fui procurar informação à internet via "Google Images".

Embora já usasse o Google para identificar imagens de quadros e de edifícios julgo ter sido a primeira vez que o usei para identificar objectos.

Li que se tratava de um "Dreamcatcher" que agora achei que se poderia traduzir por "Captador de Sonhos".

É um dispositivo inventado numa tribo de índios da América do Norte e tem como objectivo proteger as crianças de eventuais maus sonhos.

Os sonhos bons sabem como passar pelo dispositivo que apenas impede a passagem dos pesadelos, que ficam presos na teia de aranha desfazendo-se ao nascer do dia.

O dispositivo protector é colocado sobre a cama da criança e as penas servem para mostrar a presença de movimentos do ar, como mobiles.

É curioso como estes objectos perduram nesta época tecnológica, quero crer que as pessoas os usam apenas pelo efeito decorativo, mas não tenho a certeza que esse cepticismo seja universal.

Entretanto vejo-os agora com cada vez maior frequência.

E gosto da forma estilizada da teia no círculo maior.


2017-07-10

Um espada americano


Já tenho bastantes anos e lembro-me de haver um tempo, provavelmente desde o fim da 2ª Grande Guerra em 1945 até talvez ao fim da década de 60, em que os enormes carros americanos eram gabados com expressões como "que grande espada!", que se poderia aplicar a este modelo que vi em Tavira em Julho de 2014.


Foi agora confirmar que existia um filme chamado "La belle américaine", uma comédia francesa em que a bela americana era uma viatura que ia passando de mão em mão.

Entretanto a indústria automóvel da Europa recuperou depois da devastação da guerra e os carros americanos foram perdendo o prestígio que tinham em favor dos carros europeus, de dimensões mais compatíveis com as ruas estreitas de algumas cidades antigas, bem desenhados e com consumos de combustível em níveis razoáveis enquanto os consumos típicos destes carros americanos andavam pelos 30 litros aos 100 km.

A classificação passou então de "grande espada" para "grande banheira" o que não deixa dúvidas sobre a perda de prestígio.

Agora que se tratam de carros históricos que se vêem raramente, à excepção de Cuba onde continuam a circular, gostei de rever este que no seu exagero mantém a sobriedade possível.


2017-07-09

As férias de um primeiro-ministro



Julgo já ter dito que de uma forma geral acho os portugueses são excessivamente críticos em relação aos governantes. Na vida dos políticos deve haver uma primeira fase em que são treinados pelos eleitores para ficarem cada vez mais insensíveis às críticas que sobre eles caem. Na segunda fase, quando os políticos já desenvolveram uma carapaça para sobreviverem às críticas, os eleitores queixam-se de eles não as ouvirem.

O actual primeiro-ministro, na sua viagem oficial à Índia foi "apanhado" pelo falecimento de Mário Soares. Talvez por isso escolheu desta vez para férias um lugar próximo, em Palma de Maiorca, sítio de onde poderia regressar a Portugal muito rapidamente. O sítio parece-me geograficamente adequado.

Imensos críticos consideram que alterar as férias programadas há muito criaria um ambiente de crise desproporcionado em relação à possível contribuição de António Costa para resolver as falhas que existiram na tragédia de Pedrógão e no roubo de armamento em Tancos. Talvez por isso afirmam que o PM deveria ter suspendido as férias, provavelmente para lhe poderem fazer perguntas a que ele ainda não está em condições para responder dado que ainda decorrem  os inquéritos ao que se passou.

Eu considero que o PM fez muito bem em ir gozar estas curtas férias de cerca de uma semana e faço votos para que recupere um pouco depois destes incidentes que revelaram mais uma vez algumas fragilidades do país.

Não faço ideia onde o PM está em férias, este ambiente nos arredores de Palma de Maiorca pareceu-me na altura agradável


bem como este restaurante numa pequena ilha em frente duma praia


 Contudo, o panorama por trás dessa mesma praia dava a sensação de ser um sítio talvez sobrepovoado na época alta, tirei as fotos em 16/Jun/2007, altura do ano ainda com pouca gente na praia.



2017-07-06

Olivais Sul


Em 20/Abr/2014 fotografei este arbusto florido cujo nome desconheço ao pé da vedação da Quinta Pedagógica do lado exterior da mesma.


A foto foi tirada com o meu telemóvel e está sobreexposta na parte de cima. Tentei melhorá-la reduzindo o factor gama de 1,0 para 0,75




Depois, na versão original enquadrei apenas uma parte de baixo e reduzi ligeiramente o brilho, obtendo o que parece ser uma foto de outra cena


2017-06-30

Beira-Rio (Tejo) - 4


Estas fotos foram tiradas em 15/Abril/2014 ao fim da tarde no passadiço de madeira que bordeja o rio Tejo no Parque das Nações depois de passar por baixo da ponte Vasco da Gama e a caminho da foz do rio Trancão.

Na primeira vêem-se flores do trevo, de cor branca mais comum e algumas com tons rosados


na segunda só há flores de trevo brancas e 3 florinhas roxas e uma amarela do lado direito a "marcar posição"




e na terceira ficaram uma umbelíferas, iluminadas pelo sol poente




2017-06-29

Torre de Belém no crepúsculo


Tenho umas tantas fotos que já tirei há uns tempos e que têm ficado por publicar neste blogue, suspeito por alguma preguiça, por não me ocorrer grande coisa a dizer sobre elas, por dúvidas em publicar numa altura em que existe tanta publicação, etc.

Receio que as publique agora principalmente por já estar farto de as ver como reserva para serem publicadas.

Neste caso trata-se da Torre de Belém, um magnífico ex-libris de Lisboa, acho que a visitei pela primeira vez numa visita de estudo do 1º ano do Liceu, ainda fiz uns desenhos como TPC (Trabalho Para Casa) mas felizmente para os leitores deste blogue perdi-lhes o rasto.

Os crepúsculos nesta parte da cidade são notáveis, com a silhueta da Torre de Belém a recortar-se sobre o céu com cores espectaculares. Não sei se isto será bem um crepúsculo ou um pôr-do-sol, as cores são as captadas pelo telemóvel, só por acaso serão exactas, mas acredito que poderão ser parecidas com a realidade. As fotos foram todas tiradas em 3/Fev/2013, a 1ª às 18:20, a última às 18:21.







2017-06-28

Gansos em fila indiana


Enquanto espero pelos resultados dos vários rigorosos inquéritos em curso deixo aqui uma imagem de Gansos a nadar em formação, não fazia ideia que fossem tão  disciplinados




2017-06-23

São rosas...






Visitei a Bélgica por uns dias onde passei por esta t-shirt marota que me fez lembrar a história do milagre que se conta com o rei D.Dinis e a rainha Santa Isabel em que levando ela qualquer coisa escondida teria dito ao marido "...são rosas senhor...".


A roupa, além de proteger do calor ou do frio e de outros agentes externos que podem agredir a pele, tem também a função de tapar/destapar partes do corpo e de eventualmente chamar a atenção para o que está tapado.


Googlei (roses t-shirt) e este modelo da H&M não apareceu. Nenhum dos encontrados tinha as rosas assim colocadas.







Posteriormente em Bruxelas passei por uma loja de roupa com raízes culturais magrebinas e constatei que também nesses nossos vizinhos se tenta por vezes chamar a atenção para o que está tapado.





2017-06-22

O mistério português


Chegou-me numa "cadeia" de mail um texto publicado no jornal "La Vanguardia" um texto em espanhol sobre Portugal e os Portugueses com alguma graça e perspicácia, em que apreciei sobretudo esta parte do texto:

«...
¿Cuáles son los retos actuales de la portugalidad? El lector ya se ha dado cuenta de que, en realidad, Portugal es un país inviable. Siempre lo ha sido. 
...»

Googlei esta parte e cheguei a este sítio com o texto que vinha no e-mail, publicado no jornal referido em 23-IX-09 da autoria de Gabriel Magalhães.

Na Aletheia tem esta nota sobre o autor: "Gabriel Magalhães nasceu em Luanda, em 1965. Em 2009, foi galardoado com o Prémio de Revelação da APE, na categoria de Ficção, pelo romance Não Tenhas Medo do Escuro. Autor de Madrugada na tua Alma, editado pela Alêtheia em 2012. É professor de literatura na Universidade da Beira Interior, na Covilhã. Casado e pai de uma filha. Colabora no jornal La Vanguardia, de Barcelona."



2017-06-11

Micro-tosta de queijo, tomate-cereja e orégãos


Em cima duma fatia de pão de forma sem côdea colocar fatias finas (cerca de 2mm) de queijo da ilha para cobrir o pão.

Cortar dois tomates cereja em 9 pequenas rodelas, notar que não é por acaso que chamei a isto uma micro-tosta.

Dispor as 9 rodelas numa matriz de 3x3. Polvilhar com orégãos. Levar ao forno a 170ºC e deixar fundir o queijo. Retirando do forno fica assim



Corta-se para individualizar cada rodelimha de tomate, ficando assim:



Dadas as quantidades quase infinitesimais talvez não engorde.




2017-06-10

Mausoléu de Khomeini


Fui ao Irão em Maio/2010, com receio de mais outra intervenção americana que partisse o país todo, à semelhança do que acontecera no Iraque, incluindo as ruínas do império persa do tempo de Dario e Xerxes e a deslumbrante arquitectura quer laica quer religiosa que tive a oportunidade de mostrar neste blogue em vários posts.

No regresso a Teerão vindos de Isfahan passámos pelo Mausoléu (35°32'56.38"N, 51°22'1.29"E) construído para guardar os restos mortais do ayatola Khomeini, descomunal como se pode ver facilmente no Google Earth usando as coordenadas que indiquei acima e na figura  seguinte.  Não resisto a observar que existe um conjunto apreciável de países em que não está disponível a “street view” do Google. A globalização não é ainda tão global como parece.



Lembrei-me agora disto pelo recente atentado do Daesh que fez 12 mortos e dezenas de feridos no Irão, no parlamento e neste mausoléu, mostrando mais uma vez a incorrecção das análises do actual presidente dos E.U.A., mostrando que o terrorismo de exportação actual é predominantemente sunita e não xiita. E que a exportação do terrorismo se faz sobretudo através da internet e da influência de mentes à distância e não através de migrações, dado que mais uma vez neste caso os terroristas eram cidadãos do país (Irão) vítima de terrorismo.

Não tenho simpatia pelo regime teocrático fundado por Khomeini que actualmente governa o Irão mas é compreensível a animosidade existente contra os E.U.A. dada a intervenção da C.I.A. no golpe de estado que depôs em 1953 o governo do Dr.Mossadegh, governo resultante de eleições democráticas, que nacionalizara os interesses petrolíferos estrangeiros no país.
 
Passei agora por um artigo na Newsweek onde se constata que 7 anos depois ainda prosseguem obras importantes no mausoléu pois ainda se vê o guindaste.

Existem outras cúpulas azul-turquesa neste complexo como a que se vê na figura


Não visitámos o interior do mausoleu, não sei se por ser difícil para turistas se por falta de tempo. Não consegui uma visão de conjunto do edifício por alguma falta de interesse.

A presença destas árvores de pequeno porte dificultaram a tomada de vistas do edifício mas existem pontos de onde se consegue uma boa perspectiva. E gostava que na Praça do Comércio em Lisboa existissem árvores destas para oferecerem alguma protecção do sol abrasador.

No lado esquerdo da 1ª imagem deste post aparece um bocadinho de uma tenda. Na realidade havia muitas, conforme se constata nesta imagem



Apreciei a limpeza e organização do espaço e surpreendeu-me que tanta gente passe uma noite numa tenda para visitar o mausoléu do ayatola Khomeini.

Tentei lembrar-me de mausoléus na Europa e só me consegui lembrar da ruína, de dimensão apreciável, do mausoléu do Octávio César Augusto em Roma.

Mausoléus recentes existem além deste o que é dedicado a Mao Zedong na praça Tiananmen em Pequim, o de Kemal Ataturk em Ankara na Turquia e, se considerarmos o volume de peregrinações que suscitavam, o pavilhão onde repousava o corpo embalsamado de Lenine na Praça Vermelha em Moscovo.

O mausoléu do imperador Meiji em Tóquio também suscita excursões respeitosas como mostrei aqui onde refiro a surpreendente Declaração de humanidade do imperador Hirohito.

Recuando um pouco mais no tempo teremos o Taj Mahal na Índia e o mausoléu de Umayun em Delhi mas estes atraem pela qualidade arquitectónica. E não vou referir monumentos mais antigos.

Fiquei a pensar porque não existirão mais mausoléus na Europa e congratulo-me com tal facto.

Toda a gente morre e embora se devam tratar com respeito os defuntos, a memória deles deve estar nas recordações do que fizeram em vida e não em monumentos depois da morte.


2017-06-06

O futuro do carvão


O futuro do carvão é a diminuição da sua produção, visto que se destina principalmente à geração de electricidade.

Quer os EUA (Estados Unidos da América) mantenham o cumprimento dos objectivos dos acordos de Paris para minimizar as alterações climáticas, quer não o façam, o futuro das minas de carvão nos EUA é o encerramento progressivo.

Chegam notícias por todo o lado da renúncia à construção de novas centrais térmicas a carvão, foi desta vez o caso da Índia que neste artigo do Indian Times referido pelo António Vidigal se refere o cancelamento da construção de centrais térmicas nesse país, que teriam uma potência total de 14 GW, dado o já menor custo de soluções com painéis solares fotovoltaicos.





2017-05-30

Os Descobrimentos Portugueses (4)



Estas minhas divagações sobre esta obra do Jaime Cortesão não são um resumo da obra de 960 páginas mas mais uma colectânea dos assuntos  que me despertaram mais a atenção.

No volume II apercebi-me finalmente (já não era sem tempo...) que os moçárabes eram os cristãos que permaneceram nos territórios conquistados pelos árabes, que invadiram a península ibérica no século VII e que por cá ficaram até ao século XV, ficando sob governação árabe, mantendo a sua religião mas adoptando muitos elementos da cultura do árabe, designadamente muitas palavras e muitas técnicas agrícolas.

Voltei a reparar que os rios vão assoreando e cidades como Silves e Coimbra, que há séculos foram portos marítimos com boas condições, hoje perderam o acesso comercial ao mar.

No volume IV fala-se dos Açores e do Mar dos Sargaços e mais uma vez refere-se a enorme dificuldade que a política de segredo do século XV coloca ao historiador actual, falando a seguir do desastre de Tânger onde ficou preso e morreu o infante D.Fernando.

Na página 403 deste volume fala-se das festas que alcançaram o auge em Lisboa nos últimos 12 dias que precederam a partida por mar em 25/Out/1451 com destino ao porto de Nápoles de D.Leonor, filha do falecido rei D.Duarte e irmã do rei D.Afonso V, para se casar com Frederico III, imperador do Sacro-Império Romano-Germânico e do choro colectivo que nessas festas suscitava a referência ao infante D.Fernando conforme relatado por um enviado e procurador do imperador.

Desde que fui surpreendido na biblioteca Piccolomini da catedral de Siena em Itália por este fresco


representando o encontro nessa cidade entre o imperador Frederico III e a princesa Leonor de Portugal, então noivos, e sobre o qual já falara neste post e ainda neste outro que sempre que vejo uma referência a este evento me interesso mais do que habitualmente para eventos desta natureza.

Desta vez fui à procura de mais imagens do casal, tendo encontrado referências as estas imagens






nas entradas da Wikipédia sobre o imperador Frederico III (1415-1493) e sobre a imperatriz Leonor de Portugal (1434-1467) que faleceu com apenas 33 anos mas deixando descendência.

Atribuem estes quadros ao pintor alemão Hans Burgkmair (1473-1531), o que me parece estranho dado que quando ele nasceu a imperatriz já tinha morrido, não encontrei ainda explicação para esta atribuição.

As imagens separadas parecem inspirar-se naquela em que estão juntos, pessoalmente prefiro aquelas em que estão separados. Não são cópias puras e simples, os escudos do Sacro-império e de Portugal estão em sítios diferentes e com dimensões diferentes nas representações quer da imperatriz quer do imperador.

Adenda: enviei um e-mail para o Kunsthistorisches Museum de Viena, onde se encontram estas obras de Hans Burgkmair no passado domingo (28/Mai) à noite e logo hoje de manhã (terça-feira dia 30/Mai/2017) tinha uma resposta do museu confirmando que se trata de um retrato póstumo, feito a partir dum retrato elaborado quando a imperatriz era viva. Desconhecia este conceito de "retrato póstumo" que me pareceu à primeira vista muito estranho. No entanto vejo utilidade no conceito, quer por o original se ter degradado muito, quer pela possibilidade de usar novas técnicas e/ou um pintor mais talentoso. No site do museu encontram-se reproduções destas imagens com maior definição.

Entretanto consultei a Wikipédia sobre os escudos usados nas diversas bandeiras de Portugal pois achei que o escudo de Portugal tinha castelos a mais. Aprendi que o número actual de 7 castelos é usado desde 1481



O número de castelos evoluiu de 13 para 10 e actualmente 7 mas não encontrei justificação para qualquer dos números escolhidos, fiquei a pensar que documentar as decisões tomadas não é o forte dos portugueses.

Resta-me a conjectura que passámos de querer mostrar que já tínhamos muitos castelos para uma representação mais minimalista. A cruz de Avis durou relativamente pouco e já tinha sido abandonada mesmo antes de 1481 pois não está representada nas imagens de Leonor.



2017-05-24

RHS Chelsea Flower Show


Quando uma vez disse a um inglês que gostava imenso dos jardins ingleses ele recomendou-me que seguisse os "Royal Horticultural Society shows/events", que organizavam visitas a jardins memoráveis.

Tomei agora conhecimento que decorre o Chelsea Flower Show, julgo que um evento anual, desta vez de 23-27/Mai.

Não estou à vontade para descrever a organização deste evento, mas passei por umas páginas da internet e guardei dele estas 5 fotos de "The Anneka Rice Colour Cutting Garden":








2017-05-22

Capas de revistas



As capas das revistas costumam trazer imagens que valem mais do que 1000 palavras, ainda mais quando são acompanhadas de poucas legendas.

À semelhança dos quadros, as fotografias  prestam-se a comentários quase sem fim, diria que contendo mais de 1000 palavras para fazer jus à frase comum..

Esta capa da Time de Dezembro de 2016 mostra que a revista não é fã de Donald Trump, fotografado na sua casa de Nova Iorque, ao nomeá-lo “Presidente dos Estados Divididos da América”.

Quando alguém é nomeado “pessoa do ano” pela Time isso significa que foi uma pessoa com um grande impacto global mas não necessariamente por boas razões.

Googlando (time person of the year 2016 image) podem-se ler  muitos comentários a esta fotografia de Nadav Kander, desde a posição do corpo e o fundo escuro ao forro parcialmente roto do cadeirão misteriosamente seleccionado para figurar na foto.






Não me tinha apercebido da quantidade de capas da Time em que Trump tem aparecido recentemente mas ao procurar na internet mais capas da Time cheguei entre outras a esta de Fevereiro de 2017 ,





Com este filminho do “making-of”:







A última capa da Time de Maio de 2017 mostra a Casa Branca transformando-se num edifício de estilo russo, com a cobertura já decorada com as cúpulas da catedral de São Basílio de Moscovo e com a cor branca já parcialmente mudada para o castanho avermelhado das paredes do Kremlin, traduzindo as suspeitas que se avolumam a cada semana que passa sobre as interferências russas nos E.U.A.



Curiosamente a revista humorística “Mad”, de que eu não ouvia falar há muito tempo, dedicara uma capa muito parecida ao tema da influência da Rússia sobre Trump já em Dezembro de 2016. A revista Mad diz-se honrada por este tributo que a Time agora lhe presta dado que há muitos anos lhe fizera alguns comentários desagradáveis. A seguir mostro a comparação das duas capas apresentada pelo Washington Times: