2017-01-17

Algarve no Inverno


Não tem passado um ano sem eu ir ao Algarve desde a infância e muitas vezes lá fui fora do Verão mas dado que a maior parte do tempo que tenho passado lá é no tempo quente e seco surpreende-me sempre a presença de plantas mais típicas de climas húmidos nesta parte de Portugal.

Foi mais uma vez o caso neste Janeiro de 2017 quando na Praia da Rocha encontrei esta espécie de hera agarrada a uma rocha virada a Norte, cuja dimensão é dada pelas 3 ou 4 pedrinhas de calçada no canto inferior esquerdo


mesmo ao lado desta planta elegante cujas folhas parecem pétalas de flores


depois surpreendeu-me esta vegetação pujante no sopé da falésia junto à praia


que mostro a seguir um pouco mais aumentada, parecendo quase um pedacinho de floresta tropical


Depois vi ainda este tapete verde


finalizando com este barranco de grés ocre na praia, rodeado dum tapete de um verde vivo onde abundam agaves






2017-01-12

Praia da Rocha, 8 de Janeiro de 2017


Quem está na água usa neoprene mas há quem vá molhar os pés com calções e uma t-shirt:



e em quase só tons de cinzento, por trás dum filtro polaroid para "aguentar" o reflexo do sol sobre o mar




2017-01-11

Mário Soares


Depois de tanto testemunho sobre Mário Soares este post parece-me redundante.

Porém chocou-me a diferença entre os louvores de toda a gente na televisão com os quais concordo na maioria  (se bem que como observou Bernardino Soares no programa 360º da RTP3 os elogios de políticos muito diferentes referiam-se cada um a actividades de épocas muito diferentes) e as palavras de ódio que apareceram com excessiva frequência em comentários na internet.

Gostava assim de afirmar que a descolonização não terá sido exemplar mas foi uma das possíveis, após as forças armadas terem garantido durante 13 anos de guerra a possibilidade de outras soluções políticas que o anterior regime se mostrou incapaz de encontrar quer antes do início da guerra quer durante a mesma. A descolonização era inevitável e seria sempre traumática. Mário Soares contribuiu para encontrar soluções que, no leque das alternativas realizáveis, acabaram por ser razoáveis.

Gosto deste quadro da galeria de presidentes da república, da autoria de Júlio Pomar, pelo aspecto festivo e descontraído que apresenta, mesmo considerando que também lá está representada a cadeira do poder da 1ª República.

2017-01-03

Os Turners da Helena


Berlim tem uma atmosfera não tão enevoada como a de Londres, pelo que se nota que existem algumas diferenças entre muitos dos quadros de Turner e as fotos da Helena Araújo mas poderão verificar aqui que o espírito é muito semelhante, trata-se de captar a luz.

A seguir mostro um exemplo




os outros poderão ver no site da Helena, aconselho que cliquem lá nas imagens para as verem grandes.


2016-12-30

Teia de aranha com orvalho


Há uns dias os Olivais Sul amanheceram com nevoeiro e reparei numa árvore com teia de aranha onde se condensara algum orvalho. Esta é a imagem da árvore


seguida duma foto tirada mais ao pé da teia



Esta teia fez-me lembrar esta obra da Alyson Shotz que já mostrara aqui






e a animação que mostra uma aranha a construir a sua teia aqui.





2016-12-27

Mulher de branco no jardim


Renovei dois posters que tinha em casa com reproduções de quadros do Monet, desta vez usando imagens disponíveis na internet e fazendo impressões das mesmas sobre tela, posteriormente montada sobre armação de madeira, numa loja de fotografia dos Olivais.

Dizem-me que as tintas usadas nas telas têm boa duração, o que é pouco frequente nos posters que tenho comprado, com tendência para perder os vermelhos.

Na procura de imagens com melhor definição, que muitas vezes estão na commons.wikimedia.org acabo por passar por outras imagens além das específicas que procuro.

Foi o caso da que mostro aqui



intitulada "Femme en blanc au jardin", pintada por Claude Monet em 1867 e actualmente no museu Hermitage em S.Petersburgo.

Nos livros de fotografia costuma-se ler que as melhores horas para tirar fotos são quando o sol está baixo, no início da manhã e ao fim da tarde, como fiz no antepenúltimo post deste blogue.

Quando o sol vai alto, como é o caso deste quadro em que as sombras são pequenas, o contraste muito grande entre as zonas fortemente iluminadas e as de sombra tornam difícil a composição da imagem. Presumo que as mesmas dificuldades apareçam na realização de quadros nessa altura do dia.

Este parece-me que resolveu os problemas de uma luz forte com grande sucesso.

2016-12-23

Feliz Natal


O Solstício de Inverno de 2016 já passou, desta vez foi no dia 21/Dezembro às 10horas e 44 minutos, a partir de agora e até Junho de 2017 o período de luz de cada dia vai sempre aumentar!


A Igreja aproveita esta altura do ano para comemorar o nascimento de Jesus Cristo, representado neste ícone de estilo bizantino que, segundo um sítio da internet, estará na Igreja da Natividade em Belém


Continua-me a fascinar esta forma bizantina de representar a realidade, mesmo se à primeira vista parece repetitiva. Mostro a seguir o detalhe da Sagrada Família


e desejo aos leitores um Natal Feliz e um ano de 2017 melhor do que o de 2016.



2016-12-17

Árvore iluminada nos Olivais Sul (2)


Nas tardes de Dezembro (por volta das 3 e meia já o sol vai baixo) há um choupo que parece ser preferido pelos raios solares, nesta altura do ano com as folhas amarelas, contrastando com as árvores que o rodeiam, de folhagem perene de côr verde.

Fotografei-o em 24/Dez/2007, faz agora 9 anos, e mostrei-o num post de Março/2008, um dos primeiros deste blogue, chamando-o plátano mas corrigindo para choupo num comentário.

Fotografei agora mesma árvore, aproximadamente à mesma hora (por volta das 3 e meia) mas doutro ângulo. Nestes 9 anos ficou mais imponente.



2016-12-13

Marcel Gotlib (1934 – 2016)



Tomei conhecimento na pequena secção de obituário do jornal Expresso que morreu Marcel Gotlib no passado dia 4/Dez, autor notável de banda desenhada.

Tomei contacto com o seu “humor gelado e sofisticado” através da “Rubrique-à-brac” uma série de álbuns onde aprendi que era possível partilhar a nossa ignorância com os nossos leitores como fiz aqui e aqui e me apercebi da extraordinária ironia da lenda da maçã que ao cair na cabeça de Sir Isaac Newton alegadamente o fez descobrir a Lei da Gravitação Universal.

De antologia era também a revisitação de muitas das histórias que era costume contar às crianças, mostrando que afinal elas não eram transmissoras de valores tão bons como nos queriam fazer acreditar.

Ganhou fama escrevendo na revista Pilote, tendo depois dirigido outras revistas. A Wikipédia tem uma entrada em francês, outra em inglês mas falta uma versão portuguesa.

Acho que vou revisitar os álbuns dele que tenho em casa.

2016-12-10

Líchias!


Quando comecei a frequentar restaurantes chineses aparecia na lista de sobremesas esta fruta na sua versão de conserva que nunca me convenceu. Porém, quando tive a oportunidade de a provar fresca, fiquei fã para sempre. É pequena, descasca-se bem à mão, não é enjoativamente doce e tem um perfume subtil, muito agradável sem ser impositivo

Não conheço bem as cadeias de frio para este tipo de fruta, parece ser das poucas frutas que não as tem, em Lisboa sei que elas aparecem em Junho e em Dezembro.

Uma visita à Wikipédia diz que as líchias são originárias do Extremo Oriente, que estão disponiveis em Junho no hemisfério Norte e em Dezembro nas plantações do hemisfério Sul.

Na frutaria chinesa dos Olivais em que me abasteço as desta época costumam vir de Madagascar.

Não resisti a tirar uma foto às primeiras líchias deste Dezembro, numa taça de vidro iluminada pelo Sol:




2016-12-06

Teremim, o instrumento que se toca sem tocar


Tenho um amigo que reparou na ausência dum específico instrumento electrónico neste blogue.

Trata-se do Teremim, instrumento que se toca sem tocar, inventado em 1920 por um russo chamado Léon Theremim, que patenteou a sua invenção na América onde vendeu os direitos de produção à RCA (Radio Corporation of America) e teve Einstein como mentor.

O instrumento tem duas antenas que detectam a proximidade das mãos do instrumentista (não fará sentido falar aqui de quem o toca), controlando uma mão o tom musical (frequência) e a outra o volume (amplitude).

O melhor é ver uma demonstração do aparelho tocando a melodia do "Aconteceu no Oeste"




seguido duma demonstração dos sons elementares do aparelho e duma Ave Maria




A versão inglesa da wikipédia tem uma biografia bastante completa deste notável físico e inventor russo que além deste aparelho contribuiu para o desenvolvimento da televisão, foi desterrado para a Sibéria, foi reabilitado e inventou vários dispositivos para espionagem, designadamente um que detectava conversas através das vibrações dos vidros das janelas.

Nasceu em S.Petersburgo em 1896, casou-se 3 vezes e depois duma vida completíssima faleceu em Moscovo em 1993 (com 97 anos).

2016-12-04

Breve História de Quase Tudo



Já me tinham recomendado este livro do Bill Bryson mas foi este post do João André que me me levou a comprar o livro “A Short History of Nearly Everything” que existe também com tradução portuguesa, em título deste post.

Recomento a leitura do post acima referido pois descreve bem o conteúdo do livro bem como o estilo informal do seu autor pelo que me dispensarei de o repetir aqui.

Pela minha parte destaco também a citação de J.B.S. Haldane que sublinhei quando lia o livro, em tradução minha: “O Universo é não apenas mais estranho do que nós supomos; ele é mais estranho do que nós conseguimos supor”.

Embora o autor não tenha formação científica foi não só capaz de apreender o essencial de muitos conhecimentos científicos como foi capaz de em cada área continuar a perguntar até conseguir chegar à fronteira em que os cientistas lhe respondiam “não sei” (ou não sabemos).

Quando eu passei pelo liceu, foi há muito tempo ainda se chamava liceu, boa parte da ciência que ensinavam era implicitamente transmitida como uma verdade definitiva, de natureza mais religiosa do que científica. Talvez seja por isso que continuo a surpreender-me quando tantas novas descobertas continuam a surgir a todo o tempo, completando ou destruindo convicções que se julgavam mais estáveis.

Gostei do destaque que o autor vai dando ao longo do livro aos aspectos humanos dos cientistas, destacando a sua singularidade sem cair na caricatura hostil. E gostei que depois de falar das descobertas feitas refira a nossa grande ignorância sobre quase tudo.



2016-12-01

Gravador de Bobines



A luta contra a falta de espaço em casa é como a Reforma do Estado, é um erro considerar que essa luta está concluída, existem apenas acções sucessivas que umas vezes melhoram, outras vezes pioram a situação.

Existem coisas que embora tenham perdido a sua utilidade representam um aspecto importante da vida e é mais difícil desfazermo-nos delas. Foi  certamente o caso do meu primeiro gravador, um Grundig TK140 que comprei no ano de 1967, um modelo de gama baixa, que ia comigo nas férias grandes e com o qual gravei muitas músicas do programa “Em Òrbita” do Rádio Clube Português além de discos de vinil emprestados por amigos.

Fui ao site do Instituto Nacional de Estatística à procura do IPC, Índice de Preços do Consumidor (do Continente excluindo habitação) e constatei que o gravador que em 1967 me custou 3400$00 me custaria agora a quantia equivalente de cerca de 1100 €! Constato assim com facilidade que nem os meus filhos nem os meus netos vão ter mais dificuldades do que eu tive a adquirir um equipamento funcionalmente equivalente que agora, sempre passaram 50 anos, custará umas 20 vezes menos.

Achei curioso que o INE faculte um ficheiro .pdf atestando esta conversão, é um serviço simpático concebido certamente para conversões de valores mais elevados e que mostro a seguir



O cálculo do IPC inclui muitas considerações que poderão não ser aplicáveis a cada um dos valores de objectos cujo custo se pretende actualizar mas dá uma boa primeira estimativa.

Os LPs (de Long Play) discos de vinil com entre 30 e 50 minutos de música, actualmente existindo muitos sob a forma de CD,  custavam então 180$00 o que convertido dá cerca de 60€ actuais, valor estratosférico quando comparado com um CD.

Na área dos computadores, dos aparelhos audio e de video, das máquinas fotográficas e em tantos outros tipos de equipamentos é cada vez mais frequente que um aparelho chegue ao fim da sua vida útil não porque se tenha avariado e seja incapaz de cumprir a sua função mas porque apareceu uma nova geração de aparelhos de muito melhor qualidade que os torna obsoletos.

No caso deste gravador ele ficou obsoleto quando adquiri passados 6 anos um conjunto de alta fidelidade com gira-discos, amplificador/rádio e duas colunas. A diferença de qualidade era tão grande que o gravador ficou arrumado a um canto sem ser usado e só não o deitei fora porque ainda podia funcionar e, dada a sua forma paralelipipédica, se arrumava bem a um canto.

Ultimamente descobri que me desfaço com maior facilidade das coisas quando guardo uma(s) foto(s) das mesmas, uma foto num disco duro quase não ocupa espaço.




Também fotografei as notas de uma alteração que fiz dentro do gravador para poder tocar fitas gravadas em estéreo noutros aparelhos:



Depois não resisti a gravar um filminho de 15 s onde se constata que ainda conseguia tocar uma bobine gravada há quase 50 anos!


Guardei também o caderninho



onde registava o conteúdo de cada bobine, eram as Playlists da época, de que mostro aqui um exemplo:


E depois disto tudo fui colocar o aparelho, bobines e notas no ecoponto.


2016-11-30

O Outono sempre vai chegando


Como se vê hoje nos Olivais Sul em Lisboa, com umas poucas árvores do bairro, da Quinta Pedagógica ou do Contador-Mor a ficarem com folhas amarelas, castanhas e vermelhas





2016-11-29

Meandro(s)


Visto na margem lodosa do rio Tejo no Parque das Nações em Lisboa:


Versões da Wikipédia sobre meandro em português (muito resumida), em espanhol, e em inglês, estas duas bastante completas e com figuras um pouco diferentes.

Também metáfora para os caminhos da política, nem a água consegue correr em linha recta...


2016-11-22

Tempo de espera



Há muito tempo que quase não ando de autocarro. Nos tempos em que não tinha carro demorava 10 a 15 minutos a pé da minha casa até o estabelecimento de ensino pelo que só precisava de usar transporte público esporadicamnete.

Mesmo nessa altura constatei que esperar por um autocarro era uma enorme seca e que se fosse a pé acabava na maior parte dos casos por chegar mais cedo ao destino do que o autocarro, verificação possível pois usava o mesmo trajecto.

Às vezes tomava o eléctrico pelo prazer de ir sentado à janela com esta aberta quando o tempo estava ameno. E o metropolitano era verdadeiramente a única alternativa boa, quando passou aquele período inicial das composiçõs com duas ou três carruagens em que uma pessoa ia tão comprimida como no metro de Tóquio na hora de ponta.

Nas cidades da Europa fui vendo o aparecimento de painéis electrónicos onde era afixado o tempo de espera para o próximo eléctrico ou autocarro e acostumei-me a ver valores normalmente inferiores a 10 minutos nos centros das cidades.

Quando comecei a ver esse painéis em Lisboa constatei que. sob o ponto de vista do tempo de espera, a situação não era muito diferente do que acontecia há 50 anos atrás, via valores de 18 minutos, de 25 minutos, valores que me parecem inacreditáveis para quem tem de usar estes transportes.

Constatei além disso que os painéis eram raros, existiam imensas paragens sem nenhum painel e presumo que os horários, que talvez estejam afixados, seriam tão úteis como os horários dos voos da TAP que dão uma vaga ideia de quando o avião parte ou melhor, estabelecem um limite inferior do instante em que se dará a partida.

Notei contudo numa paragem ao pé da minha casa que a respectiva placa que mostro na foto


sugeria o envio de um SMS com o texto C 08413 para o número 3599. Constatei depois que o número 3599 se aplica em todas as  paragens, mudando o código C nnnnn que caracteriza a paragem.

Fiz a experiência e para meu espanto recebi em menos de um minuto, naquele caso ao fim de menos de  10 segundos, mensagem SMS de resposta com uma lista dos autocarros que iriam chegar, com o tempo de espera e o tempo de chegada!

Desde aí usei esporadicamente este sistema, sempre com bons resultados, duma vez como o tempo de espera era superior a 20 minutos ainda fui a um café beber uma bica, em vez de ficar a secar na paragem.

Parece-me um sistema muito bom considerando que o custo dos SMS é muito pequeno ou mesmo nulo para alguns contratos com operadores de telemóveis. O sistema também é bom para a Carris, com menores custos de investimento em painéis, ainda por cima mais vulneráveis a vandalismo e a avarias que necessitam de deslocação ao local. E tem ainda a vantagem para quem está em casa de saber quando será preciso dirigir-se à “sua” paragem, possibilidade que não existe com os painéis electrónicos nas paragens.

No site da Carris tem informação sobre isto aqui.




2016-11-21

O Outono está a chegar devagarinho


Depois dos calores de ananases do último Verão começou o Outono no equinócio em 22/Set/2016, passaram agora 60 dias, faltando 30 para para o solstício de inverno que ocorrerá em 21/Dez/2016.

Passaram-se assim 2/3 do Outono e no domingo de há uma semana (dia 13/Nov), na praia de S.João da Caparica ainda fazia este tempo magnífico



 olhando melhor vê-se que já não era bem Verão, nesta altura já só se vê gente vestida na praia, ou a passear na areia ou com fato de neoprene nas ondas




eu próprio estava bem protegido do sol como atesta a minha sombra aqui ao lado mas não duvido que os turistas do norte da Europa estariam a apanhar banhos de sol.

Estive a ver no Wunderground os valores históricos do mês de Novembro em Lisboa e as médias da  máxima/mínima começam em 1/Nov com 19º/13ºC e os valores vão descendo até aos 15º/9ºC no fim do mês. Os valores observados este ano não se afastam muito do normal, com uns dias de sol e outros com alguma chuva.

Neste esteve sol e até a serra de Sintra lá ao fundo se apresentava neste dia sem nuvens.



vendo-se a silhueta do palácio da Pena neste detalhe.


Não tenho tido assim oportunidade de mostrar fotos lindíssimas de paisagens geladas como as que aparecem aqui.

Hoje o tempo já esteve mais Outonal, choveu com frequência durante o dia como se constata nesta foto dos Olivais Sul


em que a relva verde revela que caiu alguma chuva depois do Verão em que os relvados estavam estritamente amarelos e secos.

Notam-se umas tantas folhas amarelas nas árvores aqui e ali mas será preciso esperar por meados de Fevereiro para cair a última folha, para logo a seguir começarem a aparecer as folhas novas.



2016-11-14

Ainda Leonard Cohen


Antes da Internet era difícil encontrar informação, entre tantas outras coisas, sobre artistas. Agora o difícil é parar, anteontem e ontem passei por muitos vídeos sobre Leonard Cohen e suas músicas.

Além do texto da New Yorker, publicado em 17/Outubro/2016, gostei particularmente desta entrevista feita por uma sueca (Stina Dabrowski, que fez entrevistas a muitos notáveis) quando ele estava no mosteiro Zen para onde se retirara de 1994 a 1999.

Gostei imenso de o ouvir, pareceu-me sincero o que é sempre refrescante, mais ainda depois desta campanha eleitoral americana. O vídeo dura cerca de 40 minutos, embora refira 53 mas por motivo desconhecido o genérico final aparece aos 40 e poucos e depois fica tudo preto.




2016-11-11

Leonard Cohen



Leonard Cohen morreu em casa, em paz, em 7/Nov/2016, o que foi divulgado ontem, dia 10/Nov.

Normalmente não sei qual a música que prefiro de um cantor/compositor.

Neste caso sei, é a Suzanne, de que deixo um Youtube com a letra




Também gosto muito deste video surreal do "Dance me to the end of love"




e desta canção do último álbum, lançado em Outubro deste ano



em que diz  Hineni, Hineni, I'm ready my lord


cuja letra fui buscar aqui:


"You Want It Darker"


If you are the dealer, I'm out of the game
If you are the healer, it means I'm broken and lame
If thine is the glory then mine must be the shame
You want it darker
We kill the flame

Magnified, sanctified, be thy holy name
Vilified, crucified, in the human frame
A million candles burning for the help that never came
You want it darker

Hineni, hineni
I'm ready, my lord

There's a lover in the story
But the story's still the same
There's a lullaby for suffering
And a paradox to blame
But it's written in the scriptures
And it's not some idle claim
You want it darker
We kill the flame

They're lining up the prisoners
And the guards are taking aim
I struggled with some demons
They were middle class and tame
I didn't know I had permission to murder and to maim
You want it darker

Hineni, hineni
I'm ready, my lord

Magnified, sanctified, be thy holy name
Vilified, crucified, in the human frame
A million candles burning for the love that never came
You want it darker
We kill the flame

If you are the dealer, let me out of the game
If you are the healer, I'm broken and lame
If thine is the glory, mine must be the shame
You want it darker

Hineni, hineni
Hineni, hineni
I'm ready, my lord

Hineni
Hineni, hineni
Hineni

2016-11-09

What Happened?


Há muitos anos no filme “Tootsie” o amigo encenador de teatro da personagem do Dustin Hoffman dizia-lhe que o seu objectivo, quando preparava uma peça de teatro para exibição, era tentar que os espectadores, ao fim de uma ou duas horas de espectáculo, saíssem da sala perguntando uns para os outros “What happened?”.

Quer no caso do Brexit quer ontem deitei-me um pouco mais cedo do que habitualmente.

Como no Brexit as projecções apontavam fortemente no princípio para a vitória da permanência no Reino Unido na União Europeia e no fim da contagem se observou o oposto, desta vez quando me fui deitar já não acreditava que a eleição de Hillary Clinton estivesse segura. Projecções económicas e políticas são as novas previsões da meteorologia, merecem pouco ou nenhum crédito.

Ouvi um bocadinho do discurso de vitória do Donald Trump e constatei (ainda com alguma surpresa) que afinal, ao contrário do que dissera há poucos dias num dos debates com a Hillary, de que a poria na cadeia quando chegasse a presidente, considerava que ela tinha sido uma grande lutadora durante a campanha e que o país lhe devia muito devido aos serviços relevantes que lhe tinha prestado.

Constatei assim que uma suspeita que se vinha avolumando sobre a minha incapacidade de compreender o discurso político, sobretudo na fase pré-eleitoral, se confirma cada vez mais. Notei isso quando Durão Barroso garantiu que não aumentaria os impostos para afinal encontrar o país de tanga e se “ver obrigado” a aumentá-los, depois com as contradições de Sócrates amplamente documentadas em Youtubes da net, seguidas do que me pareciam contradições de Passos Coelho mas estas últimas tão fortes que passei a considerar que o que ele dizia não tinha significado e culminando agora em Donald Trump.

Dado que cerca de metade dos eleitores americanos que se manifestaram nas urnas votou num candidato que disse coisas inacreditáveis durante a campanha, prefiro acreditar (uma questão de fé) que boa parte dessa gente possui uma chave interpretativa que lhes permite conhecer as verdadeiras intenções de Donald Trump, a partir dos dislates que vai dizendo. Pela minha parte irei estar atento durante algum tempo a ver se acedo a essa descodificação.

Entretanto constato que o Partido Republicano controla agora a Presidência, o Senado, a Câmara dos Representantes e dentro em breve também o Supremo Tribunal.

Os Estados Unidos da América têm zonas muito problemáticas, de que é exemplo esta estação de combóios na cidade de Detroit, encontrada aqui que são um dos factores explicativos possíveis.




Depois de seleccionar esta foto pensei que seria natural que na capital que foi do automóvel os combóios não saíssem muito bem tratados mas toda a cidade está em declínio, com pouca gente e muito crime.


Na Wikipédia tem este artigo sobre desigualdade de rendimentos nos EUA de onde retirei este gráfico



onde se constata que foi no início dos anos 90 que o rendimento mediano das famílias deixou de acompanhar o aumento da produtividade. É provável que seja o resultado das reformas do republicano Ronald Reagan que presidiu de 1981 a 1989, mas os democratas que estiveram no poder desde então não conseguiram inverter esta tendência. Isto seria outra possível explicação para a escolha dum candidato “de fora do sistema político”.


2016-10-30

Línguas da China e idioma oficial





No post anterior manifestei a minha perplexidade pelas diferenças de opinião sobre o estatuto do cantonês relativamente ao mandarim padrão ("standard chinese" na versão inglesa desta entrada da Wikipédia), a língua oficial da República Popular da China desde 1956, activamente promovida desde essa data.


A promoção deste idioma oficial desde essa data favorecerá a unidade da China e torna possível o uso uniforme de caracteres latinos (os escolhidos pelo governo) para representar de forma escrita o idioma oficial.


Nos artigos da Wikipédia referidos acima, versão curta em português, mais completa em inglês, vem um mapa que copiei para aqui.


Às vezes uma pessoa  ao falar de vários países e ao usar a mesma palavra "país" para realidades tão distintas  pode perder a noção de que um país como a China, com 1300 milhões de habitantes não é como Portugal 130 vezes maior, é algo de natureza diferente, talvez mais como a Europa mas sem ter tido um imperador.


É assim natural a existência de grande variedade linguística nesse país tão grande.


Quanto às diferenças entre o cantonês e o mandarim encontrei este blogue muito interessante escrito por uma brasileira que vive há uns anos na China, que aqui refere um video do Youtube abordando essas diferenças.




Pelo que percebi do filme o cantonês oficial escrito é praticamente idêntico ao mandarim padrão (se bem que foneticamente bastante diferente) mas o cantonês coloquial mesmo escrito é muito diferente do mandarim padrão e por vezes mutuamente incompreensível.

Estes temas têm uma complexidade incompatível com um blogue mas mostrei, por assim dizer, a ponta do iceberg.


2016-10-29

Os ideogramas chineses revisitados


Desde que visitei Macau em 1990 que me interrogo sobre qual será a razão para os chineses manterem uma forma de escrita tão complicada.

A melhor explicação que encontrei até agora foi que tiveram inegável sucesso na normalização de um conjunto de símbolos usados na escrita por toda a China e que esse sucesso foi também a razão para não mudarem. Quando uma pessoa vê as críticas que apareceram em Portugal sobre o “Acordo” ortográfico de 1990, do qual embora eu discorde reconheço tratar-se de uma alteração pequena, é fácil imaginar a dificuldade em alterar uma escrita muito mais complexa, normalizada com sucesso e grande esforço numa área geográfica enorme, numa altura em que os meios de transporte eram muito lentos.

Na Europa o latim permaneceu a língua da Cultura e da Ciência durante centenas de anos em que quase só o clero sabia ler e escrever. Na China esse papel era desempenhado pelos literati, administradores do império, guardiões da cultura e provavelmente da contabilidade, que não só teriam pouco entusiasmo em alterar uma escrita que tinham aprendido com tanto esforço, como poderiam mesmo pensar que era melhor mantê-la complicada para manter os letrados longe da crítica da generalidade da população.

Esse comportamento dos letrados teria alguma analogia com a atitude da igreja católica que considerou durante muito tempo perigoso que os laicos tivessem acesso directo aos textos sagrados da Bíblia, sem uma autoridade eclesiástica de permeio para fazer a sempre necessária interpretação do que estava escrito.

O movimento protestante na Europa caracterizou-se, entre outras coisas, pela importância dada ao acesso directo à Bíblia pelos crentes, favorecendo assim a alfabetização do povo e uma menor dependência dos cristãos protestantes face à autoridade do clero.

No livro “The story of Writing” que referi em posts anteriores lê-se que no antigo Egipto existiu um alfabeto simples que foi abandonado pelos hieróglifos. Penso que também o clero egípcio seria muito cioso dos conhecimentos que ia adquirindo e que não estaria interessado na alfabetização em massa da população.

Um dos problemas mais difíceis duma escrita ideográfica está na ordenação dos caracteres pois a ordem alfabética não pode ser usada. Os dicionários existentes classificam os caracteres em várias classes, cada uma com centenas ou milhares de elementos, o que acba por ser uma ajuda fraca e difícil pois existem sempre casos em que um carácter poderá pertencer a mais do que uma dessas classes. A certa altura começou-se a ordenar os caracteres, provavelmente dentro de cada classe, pelo número de “pinceladas” (strokes) que o constituem, dizem que é frequente ver chineses a usar os dedos para contar esse número de pinceladas que pode chegar a 33 para caracteres mais complicados. Refiro “pinceladas” e não traços porque, além de na caligrafia clássica se usarem pincéis e não canetas de aparo, muitos ideogramas são constituídos por elementos com a forma de linhas com 2 ou mais segmentos de recta.

Uma vez num almoço com chineses, em que eu lhes mostrava meia dúzia de caracteres que sabia desenhar, uma chinesa disse-me que eu “desenhava” (draw) os caracteres em vez de os “escrever” (write), dado que nem fazia os traços na ordem pré-estabelecida, nem os ligava de forma contínua quando essa ligação existia. Mesmo para saber quantas pinceladas constituem um dado carácter é preciso conhecer as regras de os escrever.

No livro “The story of writing” refere-se que é provável que a computerização das sociedades modernas aumente a pressão para os chineses abandonarem os ideogramas, dados os desafios de representação destes em comparação com as letras do alfabeto. Tenho dúvidas sobre a validade desse argumento dado que os equipamentos de informática têm aumentado imenso o número de pontos (pixels- picture elements) disponíveis para representações gráficas. Por outro lado, o aparecimento de aplicações para identificar ideogramas a partir das pinceladas que os constituem (como por exemplo esta , que referi aqui ) tornam fácil a identificação de caracteres, mesmo para um principiante como eu.

Com a tomada de consciência pelos chineses, sobretudo após a guerra do ópio (1839-1842), que já não eram a civilização mais avançada do planeta, alguns deles interrogaram-se certamente sobre as vantagens de adoptarem uma escrita alfabética.

Só depois das enormes convulsões por que passou a China no século XX, foi possivel aprovar um projecto de romanização dos caracteres da língua chinesa,.

Segundo o livro que mostro aqui ao lado de um autor chinês, em 11/Fev/1958 (11 anos depois da proclamação da R.P.C (República Popular da China em 1949) foi aprovado o projecto Pinyin, consistindo na transcrição fonética do Mandarim, a língua de Beijing falada pela maioria (70%) dos chineses.

Tem havido um esforço para que todos os chineses falem mandarim, por exemplo em Macau em 1990 a maioria da população falava apenas cantonês não compreendendo o mandarim.

Neste livro referem a existência de 8 dialectos principais da língua chinesa (em que incluem o cantonês) , enquanto que em “The story of writing” chamavam aos dialectos “regionalects” dando a ideia que abrangiam uma região grande em vez de estarem localizados, e eram verdadeiras línguas com um ascendente comum, como as línguas latinas da Europa, por exemplo o português, o espanhol e o francês.

Enquanto Alexandre Li Ching afirma que falantes de cantonês e de mandarim se entendem através da escrita (os que sabem ler e escrever), Andrew Robinson afirmava que tal se tratava de um mito e que este entendimento era impossível. Não estou em condições de avaliar quem estará mais próximo da verdade, choca-me poderem existir opiniões tão diferentes sobre este tipo de assunto. Posso contudo testemunhar que usei com sucesso o símbolo (Chū) em Macau para perguntar a direcção da saída no jardim Luís de Camões, se bem que seria mais correcto usar os dois símbolos 出口 (Chūkǒu) em que o segundo significa “boca”. A pessoa a quem perguntei disse umas palavras incompreensíveis mas apontou com o dedo ou a mão qual a direcção conveniente. A escrita serve portanto para algum entendimento mas talvez apenas em níveis básicos. Notar a propósito deste exemplo que existe na língua chinesa uma tendência para usar menos monossílabos, este é um caso típico, um bocado semelhante a dizer em português “porta de saída” em vez de apenas “saída”. Esta tendência facilita o uso do pinyin diminuindo a homofonia muito frequente na lingua chinesa.

A propósito da escrita poder servir para compreender línguas afins lembro-me dum episódio ocorrido há dezenas de anos em França quando um francês referiu uma “libélule” e logo a seguir tentou explicar-me do que se tratava. Ficou surpreendido (provavelmente o meu francês inspirava pouca confiança) quando lhe disse que sabia muito bem do que ele estava a falar porque em português o nome era muito parecido.. Perguntou-me então como se pronunciava em português e quando eu disse “libélula” achou que o som era muito diferente. Constato também que os colegas espanhóis com quem falava no meu portunhol tinham muito mais facilidade em compreender o português escrito do que o português falado.

E depois de nos admirarmos por na China, um sítio tão exótico, as pessoas de regiões diferentes não se entenderem falando mas entenderem-se escrevendo, constatamos que afinal se passam situações muito parecidas entre os portugueses e os seus vizinhos espanhóis!

Citando o livro de Li Ching, “o Comité para a Reforma da Escrita Chinesa elaborou um projecto que foi publicado pelo Conselho de Ministros da R.P.C. em 28/Jan/1958 e que consiste numa lista de 515 caracteres simplificados e de 54 elementos constitutivos cuja composição simplificou indirectamente todos os caracteres integrados. Até 1994 tinham sido simplificados mais de dois mil caracteres. É esta actividade que está na origem da existência das línguas “Chinês (Simplificado)” e “Chinês (Tradicional)” no Google tradutor.

Por exemplo a palavra “porta” é representada no chinês tradicional por “” fazendo lembrar uma porta dum saloon do farwest, enquanto no chinês simplificado é “”. Em pinyin ambas designam-se por “Mèn”. Por azar este era um dos pouquíssimos ideogramas que eu conhecia porque Macau, que em pinyin se diz “Aomen”, se escrevia “澳門” e na versão simplificada ficou “澳门”. Porque chamamos “Macau” a uma terra que os chineses chamam “Aomèn”? Não consegui descobrir.

Os sítios onde se continua a usar o chinês tradicional são Taiwan e Hong-Kong, além provavelmente da diáspora chinesa, mostrando mais uma vez a importância do poder político na definição da ortografia, como se constatou no “Acordo” ortográfico de 1990 que aumentou o número das variantes ortográficas do língua portuguesa em vez de o diminuir como era seu objectivo declarado.

Este assunto é duma vastidão difícil de compatibilizar com um ou mais posts dum blogue pelo que vou ficar por aqui.

Tentando resumir o que aqui foi dito, julgo muito positivo o esforço feito pela China no projecto pinyin e na simplificação dos ideogramas. Isso facilitará a alfabetização de todos os chineses. A tarefa é gigantesca e demorará certamente muito tempo. Espero que tenham sucesso.

Quem quiser aprender a língua chinesa em Portugal poderá começar pelo Instituto Confúcio.


Adenda: encontrei um filme no Youtube que explica as diferenças entre o cantonês e o mandarim, que refiro no post seguinte deste blogue.

2016-10-21

Loon, em foto e estilizado


Recebi num PowerPoint esta imagem


que encontrei na net aqui.

Trata-se portanto de um "Loon" flutuando com um bébé descansando no dorso. Frequentemente o Google tradutor não tem traduções fiáveis para animais e para plantas. Além dos dicionários em papel e online, outra das formas de encontrar traduções de palavras de uso mais restrito é recorrer à Wikipédia que muitas vezes além das versões em inglês tem também versões em português.

Em português estas aves aquáticas chamam-se Mobelhas, da família das Gaviidae, ficando a saber que estas aves habitam latitudes maiores do que as portuguesas mas algumas são observáveis cá durante as migrações.

A foto lembrou-me esta imagem linda do Charley Harper



cujas obras mostrei em vários posts. Na Wikipédia diz que é habitual estas aves deslocarem-se na água com os filhotes sobre o dorso, como se vê na foto e na imagem de Charley Harper.

Esta imagem intitula-se Clair de Lune, um pequeno jogo de palavras de Loon (a ave) com Lune (a lua) e com Moon.

Depois descobri aqui esta Loonrise (nascer de lua/ de loon)


e para finalizar este Blue Loon:





Marília Gabriela e Leandro Karnal


Sou alérgico ao conceito de "resistência à mudança", não tenho ouvido falar na "resistência à estabilidade", que também existe, mas gostei de ouvir estes dois conversar: